RESSACA TEU NOME É SAUDADE


BY: Estevao Valente Ressaca teu nome é Saudade.

Mémoires d’outre-tombe de Chateaubriand, une poétique des tempêtes.
Quem leu esse livro sabe bem do que falarei.
“O rugido das ondas, levantado por uma rajada de vento anunciando o equinócio de outono, um paisagista chega durante uma tempestade na praia que ele nunca viu, ele fica surpreso ao ver as ondas que incham, se aproximam e se desdobram com ordem e majestade uma após a outro,... Sua tristeza nunca foi apagada da minha memória”.
São palavras escritas por François-René, vicomte de Chateaubriand, um dos precursores do romantismo francês e um dos grandes nomes da literatura francesa .
O Mar me fascina.
Ver o Mar me traz paz interior.
As Ondas, uma após outras, me trazem esperança na vida.
Porém, a Ressaca, o movimento anormal das ondas do mar sobre si mesmas, os Ventos Fortes, as Chuvas Intermitentes, me trazem angústia e aumentam minha solidão, que se transforma em melancolia , em uma tristeza profunda.
Como no poema de Tito Madi :
“ Chove lá fora, e essa saudade enjoada não vai embora”.
Penso: Saudade de que, de quem?
Não encontro a resposta deitado na cama em meu pequeno apartamento do Posto 6, na trepidante Copacabana.
Me visto.
Vou ver a Ressaca na Pedra do Arpoador.
Não havia o Parque Garota de Ipanema, ali era área do Exército.
A Majestosa a Pedra do Arpoador invade o Mar,
Um colosso de pedra impávido a beira do Oceano Atlântico, rasgado as aguas e sendo fustigado por elas.
A “ grande rocha recebia as ondas violentas que o Mar Bravio jogava em seus trechos íngremes e acidentados”.
Os carros iam até ao pé da Pedra e a praia do Diabo, o nome já diz tudo, não é como hoje.
Três ou quatro carros estacionados.
O espetáculo é magnifico.
Creio que é um dos espetáculos mais bonitos que a Natureza nos oferece nesse mundo.
“ Só faltava alto-falantes espalhados tocando as Cavalgada das Valquírias de Wagner para ser completo”, penso eu.
Eu não tenho medo da Morte, que é e será sempre benvinda, por isso destemido galguei a Pedra do Arpoador totalmente indiferente as Grandes Ondas que sobre ela se abatiam.
Parei num ponto alto e vasculhei o Mar.
Na ponta de Pedra, bem na ponta, tinha um homem.
Eu o observava , mas ele não me via.
Me parecia jovem.
Bem vestido, com a gola do paletó levantada cobrindo parte do rosto.
Via-se sua vasta cabeleira loira assanhada pelo Forte Vento.
Por si só era um espetáculo.
Parecia que à qualquer momento ele ia se jogar no Mar Revolto.
Fui me aproximado devagar.
Pedrinhas rolaram e ele se virou.
Era a Máscara da Tragédia.
Muito branco, de olhar vazio, boca tristonha.
Estiquei o braço e ofereci minha mão.
Ele me fitava com olhar vazio.
Balancei violentamente meu braço e ele pegou minha mão.
Um Onda quase lhe levou, mas a Força dela o empurrou em minha direção.
Trombamos de frente.
Seu rosto se chocou com o meu.
Sua lábios com os meus lábios.
Nos beijamos.
Um beijo indescritível.
Ficamos com os rostos colados por um tempo.
Ele pegou na mão que eu havia lhe esticado e começamos a descer a Majestosa Pedra do Arpoador.
Juro que não sei descrever a emoção que nos dominava e nos fornecia forças para continuar.
Era dele um dos três ou quatro carros que estavam lá estacionados.
Ao nos aproximar reparei que a placa era de São Paulo.
Abriu a porta para eu sentar.
E foi sentar-se no local do motorista.
Calados estávamos, calados ficamos.
A noite caiu e lá estávamos nos olhando a Ressaca que cada hora estava mais e mais violenta.
“ Moro aqui perto. Vamos lá tirar essa roupa molhada e nos secar.”
Uma tolha e um dos meus robes de chambre.
Fui fazer um chá.
Voltei a sala e me deparei com um jovem lindo, parecia um herói de lendas gaélicas.
Ao passar a xicara reparei a marca da aliança de casamento.
“ Está friozinho. Se incomoda que tomemos nosso chá embaixo das cobertas?”
Acabamos de tomar nossos chás e ficamos deitados lado a lado.
Ele me deu a mão.
Entrelaçamos nossos dedos.
Virou-se e deitou-se sobre meu corpo.
Lábios nos lábios.
Beijos nos olhos.
Mãos delicadamente pelos corpos.
Pica na Pica.
Um roça roça delicioso.
Sem presa.
Carinho dando carinho.
Quanto tempo?
Não sei.
Mas, me parece uma eternidade.
Nos ajoelhamos frente a frente e um masturbou o outro.
Sincronia perfeita.
Gozamos.
Nos beijamos como se fosse o ‘último ato’ de nossas vidas.
Dormimos.
Acordei.
Virei para o lado.
Ele não estava.
Pulei da cama.
Banheiro, cozinha, nada.
Todavia em cima do fogão havia um envelope.
Abri ansioso.
Nele estava escrito essas simples palavras :

OBRIGADO. VOCÊ SALVOU A MINHA VIDA.

Nada mais.
Nenhuma assinatura.
E eu chorando voltei a Pedra do Arpoador.
Ele não estava, nem seu carro.
Subi até o ponto onde eu o virá e gritei desesperadamente:



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