UM DONO PARA VENERAR


BY: tuiteiro24 Depois de uma noite inteira de álcool e drogas, a madrugada já tinha virado cinza quando o bar fechou. O grupo se dispersou em abraços e promessas vagas, mas Matheus ficou. Ele sempre ficava. Eu não precisava convidar — era só manter o olhar por um segundo a mais, e Matheus já estava ali, de pé, esperando o próximo movimento.
— Vamos pra minha casa — eu disse, com a voz meio rouca de tanto falar e rir.
Matheus deu de ombros, como se fosse indiferente. Mas já estava pegando sua jaqueta de couro. Entramos em no carro dele e começamos a cruzar ruas vazias. A cidade ainda não tinha acordado.
Quando chegamos, eu abri a porta e senti o cheiro da minha própria casa — um cheiro de sono e de roupa limpa, de vida cotidiana que estava prestes a ser invadida.
— Fica à vontade — eu disse, colocando as chaves sobre a mesa.
Matheus não respondeu. Atravessou pela sala em silêncio, entrou no meu quarto, tirou seu casaco e jogou em cima da cama. Ele claramente estava à vontade. Então parou em frente à janela.
— Tá clareando — disse.
Eu me aproximei, entreguei uma cerveja. O toque dos dedos, por um segundo, foi mais longo do que o necessário.
O silêncio entre nós mudou.
___

A cerveja estava morna na minha mão. A música tinha acabado e o silêncio que veio depois foi mais alto que qualquer batida. Olhei para ele, e ele estava sentado na beirada da cama de uma forma que não havia como resistir. De pernas abertas, descontraído, preenchendo o quarto inteiro com aquela segurança silenciosa que sempre me desarmava, mesmo completamente vestido.
Ele se vestia como um roqueiro de filme adolescente: a jaqueta de couro preta, que ele já tinha jogado em cima da cama, camisa preta, jeans, botas e anéis. A barba cheia, os olhos semicerrados. Ele não estava me olhando. Estava olhando a janela, a luz que começava a entrar. Como se a cena inteira já estivesse sob controle dele.
E eu não consegui me segurar. Não sei se foi a bebida, a droga, o cansaço ou o tesão que vinha crescendo há horas. Mas meu corpo se moveu antes do meu cérebro. Me levantei num pulo, me aproximei, abaixei, e abri o cinto dele.
O metal fez um clique seco e ele não se mexeu. Não recuou. Não falou. Não riu. Não perguntou o que eu estava fazendo. Ele simplesmente silêncio.
Eu congelei.
A mão ainda no cinto, o corpo parado, a respiração presa. Foi como se o tempo tivesse virado um líquido grosso. Olhei para as minhas mãos, para o cinto aberto, para ele — imóvel — e senti um gelo na barriga.
Eu nunca tinha imaginado que isso poderia acontecer entre nós.
___

Eu ainda estava estático, parado agachado na frente dele. Ele desviou o olhar da janela, devagar e sem pressa. Os olhos castanhos quase fechados encontraram os meus. E ali, naquele olhar, estava tudo: a permissão e o controle, além da certeza de que ele sabia exatamente o que queria.
O corpo dele relaxou ainda mais no colchão e as pernas abriram um pouco mais. Foi um convite sem palavras. Um movimento tão sutil que não passaria despercebido.
Engoli em seco.
Ele levantou a mão — lenta, pesada, inevitável — e tocou a parte de trás da minha cabeça. Não puxou. Não apertou. Apenas pousou ali.
O peso da palma da mão, os dedos entre os meus cabelos, o calor da pele. Ele não precisava fazer força. Eu já estava onde ele queria.
Era a única permissão de que eu precisava.
Ele aproximou minha cabeça ao volume na calça jeans dele. Deixou que eu sentisse com meu rosto o tesouro que ele guardava ali. Eu senti que esse era o começo.
___

Ele, então, se levantou com um movimento seco e, antes que eu pudesse processar, senti o impacto de uma das mão dele sobre o meu ombro — não violento, mas absoluto. Eu caí de joelhos como se aquela fosse a única posição possível.
Ele ficou de pé na minha frente.
As roupas ainda todas no lugar. A camisa, o jeans e o cinto aberto, a fivela solta, mas o resto intacto. Como se eu tivesse começado algo que ele, agora, ia terminar do jeito dele.
Ele pegou o copo de cerveja, levou à boca e bebeu devagar.
Eu esperei.
Ele segurou meu queixo com os dedos — firmes, quentes, sem pressa. Não precisou falar, o olhar bastou. Eu abri a boca e ele cuspiu a cerveja.
O líquido escuro escorreu pela minha língua, quente e amargo. Eu engoli. Não poderia hesitar. Eu queria receber o que ele me dava.
Ele me olhou por um longo instante. A mão ainda no meu queixo.
Então — um tapa.
Rápido. Pesado. A mão aberta bateu na minha bochecha com um som seco que ecoou no quarto. O ardor foi imediato, quente e bom. Um choque que subiu pelo meu rosto e desceu pelo corpo.
Eu senti meu corpo responder, um fio elétrico descendo pela espinha. Eu queria mais. Ele sabia disso.
O segundo tapa veio logo depois, antes que eu pudesse processar o primeiro. E a voz dele — grossa, baixa, inegociável:
— Abre a boca.
Obedeci. Não pensei, apenas abri.
Ele bebeu de novo, cuspiu de novo. O líquido escorreu, e eu engoli de novo.
Mais uma pausa. Ele estava esperando.
O corpo dele imóvel, a mão ainda no meu queixo. Não havia pressa. Não havia ansiedade. Só o peso daquele instante.
E eu entendi que aquela pausa pedia algo.
— Obrigado, mestre.
As palavras saíram baixas, úmidas, com a cerveja ainda no fundo da boca e dessa vez o tapa não veio.
Ele soltou meu queixo, deu um passo para trás, e me olhou por cima. O olhar ainda era o mesmo — controle absoluto, certeza — mas algo nele mudou. Não era aprovação. Era mais leve que isso. Era reconhecimento.
Eu tinha entendido uma das regras.
___

O gosto da cerveja ainda estava na minha boca quando ele cuspiu de novo. Mas agora não era cerveja. Era só saliva. Quente e densa. Era o melhor sabor no mundo.
Eu engoli e queria mais.
O quarto começou a cheirar a cerveja. O líquido escorrido da minha boca molhou meu peito, minha barba, o tapete. Eu sentia o tecido úmido contra os joelhos. O cheiro subia, misturado com o suor, com o cheiro do couro da jaqueta dele e com a manhã que já clareava a janela.
Ele se moveu e pegou um cigarro do bolso da jaqueta. Não perguntou. Não falou. Fez um gesto com o dedo: levanta.
Eu levantei. O corpo ainda tremendo, a boca molhada, o rosto ainda quente dos tapas. Ele me entregou o cigarro e o isqueiro. Olhei para os objetos na minha mão, depois para ele. Ele sabia que eu não fumava. Mas a ordem estava ali, silenciosa e clara: acende.
Meus dedos obedeceram. A chama subiu, o papel queimou e a brasa acendeu. Estendi o braço e coloquei o cigarro entre os dedos dele. Ele pegou, deu uma tragada longa, soltou a fumaça devagar e me empurrou. Não com força bruta, mas com uma certeza que vinha do corpo inteiro. Eu caí de costas no chão, o tapete úmido contra a pele, o coração acelerado, os olhos fixos nele.
Ele subiu em mim.
Primeiro um pé sobre o meu peito. O peso da bota, a sola áspera, a pressão exata — suficiente para me prender, não para machucar. Depois o outro pé, deslizando sobre minha barriga, sobre minhas coxas, sobre o volume da roupa que já não escondia nada.
Eu senti cada passo, cada milímetro da sola contra o meu corpo. O peso dele me prendeu e me fez sentir pequeno e usado, mas inteiro.
___
Ele sentou na cama e levantou os pés na minha direção. Não precisou falar. O gesto foi claro como uma ordem: vem.
Eu levantei do chão, o corpo estranhamente leve, a boca ainda molhada de saliva e cerveja. Meus dedos encontraram os cadarços das botas e desfizeram os nós com uma pressa que eu não conseguia disfarçar. Tirei as botas, uma a uma. Ao retirar as botas, o couro pesado revelava um calor acumulado do dia inteiro.
Ele usava meias brancas e limpas, perfeitamente alinhadas. Como se tudo nele fosse planejado, mesmo no caos.
Eu tirei as meias quentes.        
Os pés dele agora estavam ali, nus, à minha frente. Dedos alinhados, unhas cuidadas, a pele clara. O pé de um homem que cuida de si. Segurei um deles com as duas mãos, levei perto do meu rosto, e olhei para ele. Busquei permissão em seus olhos.
Ele balançou a cabeça em negativa, bem devagar e firme.
Eu entendi. Não era a hora. Meu lugar, naquele momento, era olhar, não tocar. Não sentir. Não provar.
Ele finalmente removeu o cinto que eu comecei a desabotoar. Abriu o botão da calça e me olhou para que eu terminasse.
Depois que removi a calça dele, ele olhou para o chão e apontou com o queixo.
Me deitei novamente.
Eu nem sentia mais o tapete úmido nas costas. Só esperava.
Ele se levantou, dessa vez, os pés descalços. As solas nuas tocaram meu peito com uma precisão que me fez prender a respiração. A pele dele contra a minha, o peso distribuído, o calor. Cada passo era uma descoberta. Ele caminhava sobre o meu peito, minha barriga, meu pau. E a sensação de ter a sola de um homem que me dominava deslizando sobre mim era mais íntima do que qualquer toque.
Eu mal podia esperar para sentir aquele pé na minha cara, mas não pedi. Apenas esperei.
De repente, ele sentou. Não na cama — na minha cara. O peso da bunda dele pressionou meu rosto contra o chão. Meu nariz afundou quase no cu dele, a cueca cinza separando a pele da minha boca. Eu não conseguia respirar. E o cheiro — era tão bom. Matheus cheirava bem, não importava a parte do corpo.
O ar me faltou. Não entrou. Não saiu.
Eu não me desesperei. Não me movi. Só relaxei, porque entendi que o ar voltaria quando ele quisesse e que eu só existia ali porque ele permitia. Na falta de oxigênio, veio uma paz que eu não esperava.
Então ele se levantou.
O ar voltou como uma onda. Eu puxei fundo, o peito subindo e descendo, o corpo inteiro em êxtase. A boca ainda aberta, o rosto molhado de suor, o coração disparado e as palavras saíram sozinhas.
— Obrigado, mestre.
Meu corpo inteiro estava em brasa, o coração acelerado e o pau duro, latejando dentro da cueca, sem nunca ter sido tocado. Eu queria me masturbar enquanto ele me usava, mas eu não podia. Eu sabia que um homem como ele não dividiria minha atenção entre ele e eu mesmo. A submissão exigia foco e entrega.
Ele se levantou, e eu olhei pra cima. Vi a barra da cueca cinza — o cós branco que marcava o limite entre o permitido e o proibido. Estendi a mão sem pensar. Os dedos encontraram o tecido, e eu tentei puxar.
Apenas um movimento. Apenas a esperança de sentir a pele nua do cu dele contra o meu rosto. Aquela bunda peluda que eu imaginava há tanto tempo — e que agora estava a centímetros da minha boca.
Não houve tempo. A mão dele prendeu a minha no ar. Forte e rápido. Um aperto que não machucava, mas que dizia: não.
E o tapa veio logo depois — quente, pesado e certeiro. Ele acertou minha bochecha já ardida dos tapas anteriores. A dor se somou à dor, e o rosto ficou ainda mais quente. Eu senti o sangue subir, a pele formigar, o olho marejar — mas eu não desviei o olhar.
Ele me olhou por cima, com aquele ar de quem já sabia a resposta antes de eu fazer a pergunta. A cueca ficou onde estava e eu entendi a regra: a cueca fica.
___

O cheiro de cerveja, cigarro e suor pairava no ar como uma nuvem. O sol já batia na nossa pele, a manhã clara do lado de fora, a cidade acordando sem saber o que acontecia dentro daquele quarto.
Ele ficou de pé. Imóvel como se estivesse esperando algo. Eu, no chão, entendi que o movimento tinha que vir de mim. Levantei e fiquei na frente dele.
Meus olhos encontraram os dele. E, de novo, o impulso. A mão subiu antes que eu pudesse pensar. Agarrei a barra da camisa preta e comecei a puxar para cima, já esperando o tapa, a correção, a mão firme que me colocaria de volta no lugar.
Mas ele não me deteve.
Ele levantou os braços e facilitou.
A camisa subiu, passou pela cabeça, e o peito dele apareceu. Branco, peludo, com uma camada de pelos negros que desciam em triângulo até a barriga. Os mamilos rosados, pequenos, eriçados. A pele quente, os pelos macios, o cheiro dele subindo espeço no ar.
Minha boca encheu de água. Eu queria mamar naqueles mamilos. Queria sentir os pelos contra minha bochecha, a pele dele contra minha língua. A barriga era a de um homem de verdade — macia, com uma linha de pelos mais espessa que descia até o volume.
Agora ele estava só de cueca. O corpo inteiro à vista, menos o que eu mais queria ver. Aquela camada fina de tecido cinza era ao mesmo tempo a maior permissão e a maior fronteira.
Ele se deitou na cama, virado para cima. As duas mãos atrás da nuca, os braços abertos, as pernas ligeiramente afastadas. A luz do sol atravessava a janela e acariciava os pelos do peito.
Era a visão mais linda que eu já tinha visto. Um deus deitado na minha cama. O meu dono.
Matheus não disse nada. O silêncio era a ordem. O convite estava no corpo dele — completamente entregue, completamente receptivo — e eu sabia o que ele esperava: que eu venerasse aquele corpo, que eu fizesse dele um altar, que eu provasse cada pedaço.
Então decidi começar pelos sovacos. A pele clara contrastando com os pelos negros. O braço erguido, a curva do corpo, a promessa de um cheiro que era só dele. Ajoelhei na cama, curvado sobre ele, e enterrei o rosto naquela axila.
___
.
Cada centímetro de pele que eu explorava, cada pelo que roçava meu rosto, cada gota de suor que eu absorvia — tudo isso só fazia meu tesão crescer. Meu pau, preso dentro da cueca, babava tanto que a umidade já formava uma mancha visível no tecido, bem onde a cabeça repousava. Eu não precisava tocá-lo. Ele já estava vivo por conta própria.
O cheiro era de homem, suor limpo, testosterona pura. Nada se igualava ao cheiro do Matheus. Era único e viciante. Eu cheirei cada centímetro daquela axila e suas redondezas — das costelas até o cotovelo, da curva interna até a borda do peito. A umidade ficou entranhada no meu rosto vermelho de tapas, e eu senti que aquele deus agora compartilhava seu cheiro comigo.
Quando me afastei, agradeci:
— Obrigado, mestre.
Ele segurou minha cabeça com uma mão firme e me afundou na outra axila, com a certeza de que eu queria estar ali.
Lambuzei o segundo sovaco com saliva, enquanto minha mão descia pelo corpo dele — o peitoral, a barriga peluda, os pelos macios que escorregavam entre meus dedos. Desci devagar, atento a qualquer sinal de permissão ou correção.
Quando senti o volume do pau dele contra minha palma, mesmo por cima da cueca, um gemido escapou de mim — como se o prazer estivesse vindo do meu corpo, não do toque. Ele não me deteve. E no silêncio dele, li permissão.
Minha mão deslizou por toda a extensão do pau, sentindo a forma, o peso, a temperatura. Massageei o saco, senti as bolas, a pele quente. Quanto mais eu tocava, mais eu gemia dentro daquele sovaco peludo, como se cada gemido fosse uma oração.
Tomei coragem e subi a mão até a barriga, depois deslizei por trás do cós branco da cueca. Eu queria sentir o calor da pele. Queria tocar aquela carne que eu tanto imaginava. Meus dedos encontraram os pentelhos aparados — e foi só isso que eu senti.
Ele me puxou pelo cabelo. Meu rosto molhado se afastou do sovaco. E o tapa veio, quente e certo, seguido de um cuspe direto na minha boca.
Mais uma regra estava estabelecida: genitais só por cima da roupa. Assim como com o cu, agora com o pau.
Mas eu ousei falar:
— Por favor, mestre. Deixa eu tocar. Eu preciso disso.
Silêncio.
Ele enfiou minha cabeça de volta no sovaco babado — e eu entendi que para servi-lo eu deveria abdicar das minhas próprias vontades.
__

Meu único medo era desagradá-lo, mas a essa altura o tesão já havia consumido meu cérebro. Eu não raciocinava mais. Já estava adestrado.
Ele empurrou minha cabeça para o peitoral. Meu coração disparou. Era mais uma permissão. Cheirei e alisei aquele peito com tanto cuidado que parecia frágil. Era um cristal para mim. Ali era onde eu queria morar. Repousei meu rosto naquele nele por um momento enquanto alisava a barriga dele. Fiquei deitado ali por alguns segundos, devaneando uma vida com ele, que eu sabia que nunca viria.
Levantei a cabeça e voltei a venerar aquele corpo. Beijei todo o peitoral, descendo pela barriga, sentindo cada parte quente, cada pelo, até chegar no pau. Pela primeira vez, estive com o rosto tão perto daquele mastro. Dei um beijo nele, por cima da cueca. Olhei para cima. Sua reação me diria se eu poderia continuar. Não houve reação. Dei outro beijo. E mais outro. Meu sangue borbulhava, meu pau pulsava. O pau do Matheus estava na minha boca, separado por um fino tecido.
O cheiro era tão bom. Cheirava a homem — mas não qualquer homem. Cheirava a ele.
Segurei o cós para abaixar a cueca, mas antes de agir por impulso, olhei para ele. A cabeça balançou em negativa e recado foi dado.
Mas eu precisava sentir a força dele mais uma vez. Seus tapas me alimentavam.
Abaixei a cueca rápido — rápido o bastante para ver, já sabendo o que aconteceria.
Um relance. A cabeça vermelha, a pele branca, as veias saltadas. Eu vi o pau de Matheus por um segundo.
O tapa veio com brutalidade. Meus olhos marejaram, o ardor subiu pelo rosto e o som ecoou no quarto.
Com a cueca de volta no lugar e o pau novamente escondido, repousei minha cabeça sobre ele. Precisava me recuperar daquele tapa que me desnorteou de dor e de tesão.
No final das contas, valeu a pena. Eu nunca mais esqueci daquele pau grosso e veiudo. Foi uma visão de um segundo que ficou para sempre.
___

O tapa ainda ardia no meu rosto quando ele apontou para o chão. Eu sentei. Ele se acomodou na cama, ajeitou o corpo com a calma de quem tinha todo o tempo do mundo. E então, devagar, como quem oferece um presente, levantou o pé direito e apoiou a sola na minha cara.
A pele quente, a sola macia, o peso exato. Ele não pressionou. Apenas apoiou. Como se estivesse dizendo: isso é seu.
Meus dedos tocaram o tornozelo. Meu coração acelerou. Eu olhei para ele e agradeci com os olhos.
Ele sorriu. E naquele sorriso, eu entendi tudo. Não era um gesto de dominação — era de cuidado. O tapa ainda doía, e ele queria compensar. Demonstrar que a dor tinha um propósito, que o limite era parte do jogo, mas que a intimidade que veio depois também existia.
Eu segurei o pé dele, beijei a sola, e senti como se estivesse recebendo uma permissão que eu nunca imaginei que pudesse existir. Ele levantou o outro pé, e eu segurei com a mão livre. Olhei para ele.
Os olhos dele diziam: faça o que quiser.
Nesse momento, eu tive certeza de que tudo aquilo tudo já era o sexo com ele. Não estávamos nas preliminares, não havia promessas. Aquele toque, aquele peso, aquele silêncio — era o sexo completo.
___

Passei a língua na base do pé, beijando e alisando, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Alternei entre cheirar, beijar e lamber. Eu estava literalmente me deliciando. Era o sonho da minha vida sendo realizado.
O cheiro era de Matheus e o sabor era doce — doce e forte. Lambi cada dedo, passei a língua entre eles, chupei um por um, fazendo movimentos de vai e vem, imaginando que estava fazendo sexo oral no pau dele. O pé era o órgão máximo de prazer para mim naquele momento.
Ele continuava parado. Só aceitava. Recebia o prazer que eu tinha para dar. E quanto menos ele reagia, mais eu sabia que estava bom.
Alternei entre um pé e outro. Passei os pés na minha cara, bati com eles no meu rosto enquanto alisava a panturrilha peluda dele. Mamei aquele pé como se estivesse mamando o último pau do mundo. Olhava para cima, e ele fazia cara de desejo. Ele não gemia — porque ele era duro —, mas fazia caras. E aquelas caras me davam mais tesão. Já eu, com o pé dele na minha boca, gemia cada vez mais alto.
Tomei coragem e falei de novo:
— Mestre, posso pedir uma coisa?
Ele só olhou para mim. Não respondeu. E eu entendi que era um sim.
— Cospe na minha boca de novo, por favor.
Ele recebeu meu pedido, o Matheus não era um homem que obedece. Então ele fez do jeito que quis. Cuspiu no próprio pé e levantou à altura do meu rosto, para eu lamber.
Aquilo era uma ordem, mesmo sem palavras. E eu obedeci, como sempre. Lambi a saliva no pé dele. Senti aquele gosto doce, aquele gosto que nunca mais sairia da minha boca. Engoli como quem engole a seiva da fruta mais doce. Senti como se fosse gozar, sem nem tocar o meu pau. A mancha molhada na minha cueca crescia.
Lambendo a pele dele, subi pela panturrilha, até chegar na parte interna da coxa. Era quente, peluda, branca. Enfiei a cara na virilha dele. A cueca cheirava a ele. Ali era onde o cheiro dele era mais forte — quente, úmido, concentrado. Esfreguei o rosto por toda a virilha, dos dois lados, sarrando no saco dele, dentro da cueca. Ele não reagia, e eu sabia que podia continuar.
Continuei esfregando o rosto no pau dele por cima da cueca, sentindo aquele músculo pulsando contra minha face. Eu gemia cada vez mais alto.
Então ele segurou minha cabeça e começou a sarrar o pau no meu rosto, sem tirar a cueca. Ele esfregava aquele músculo rígido e quente devagar em mim, e eu não conseguia segurar os meus gemidos.
Ele foi aumentando a velocidade, cada vez mais. Segurava minha cabeça e pressionava meu rosto cada vez com mais força — tão forte que o tecido arranhava minha pele. Mas eu não me importava. Aquele pau contra minha cara era tudo o que eu precisava.
O ritmo continuou aumentando até que, pela primeira vez, eu ouvi ele gemer. Enquanto gemia, de olhos fechados, ele segurava meu cabelo com as duas mãe. De repente, um grito mais alto e movimentos mais lentos ate que vários espasmos vieram.
Eu senti a cueca molhada contra o meu rosto — o cheiro de porra exalou. Ele tinha gozado, sarrando na minha cara. Eu tinha conseguido proporcionar a ele o ápice do prazer.
Matheus foi relaxando. Os movimentos pararam aos poucos. A respiração estava profunda. Eu fiquei ali, imóvel. Não tinha coragem de sair. Eu não queria sair dali nunca mais.
Então virei o rosto, encostei a boca na cueca molhada de porra e lambi o tecido. Foi como uma explosão de fogos de artifício na minha cabeça. Minha barriga gelou. A pressão baixou. Meu corpo inteiro tremeu. Era como se eu estivesse tendo um orgasmo — sem precisar gozar de verdade.

Foto 1 do conto: UM DONO PARA VENERAR



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